Petróleo e minérios impulsionam recorde nas exportações brasileiras para a China no primeiro trimestre de 2026

Por Conexão Mineral 17/04/2026 - 18:51 hs
Foto: Petrobras
Petróleo e minérios impulsionam recorde nas exportações brasileiras para a China no primeiro trimestre de 2026
Relatório foi produzido pelo CEBC

O comércio entre Brasil e China atingiu um patamar histórico nos primeiros três meses de 2026, com a corrente de comércio alcançando o recorde de US$ 41,8 bilhões, um crescimento de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho foi sustentado por um salto significativo nas exportações, que avançaram 21,7% para totalizar US$ 23,9 bilhões, o maior valor já registrado para o período de janeiro a março na série histórica. O grande protagonista desse avanço foi o setor de petróleo, cujas vendas praticamente dobraram em valor. Os dados fazem parte do relatório emitido pelo Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), de autoria de Tulio Cariello, Diretor de Conteúdo e Pesquisa do conselho.


Petróleo e o papel do Rio de Janeiro

As exportações de petróleo bruto para o mercado chinês atingiram a máxima histórica de US$ 7,19 bilhões (ou US$ 7.192 milhões) no primeiro trimestre, refletindo um aumento de 122% no volume embarcado. A commodity passou a responder por 30,1% de toda a pauta exportadora brasileira para a China, um ganho de 11,2 pontos percentuais em participação na comparação com o primeiro trimestre de 2025. A relevância do país asiático para o setor é tamanha que a China absorveu 57% das exportações totais de petróleo do Brasil no trimestre, chegando a 65% apenas no mês de março.

O estado do Rio de Janeiro consolidou-se como o polo central dessa dinâmica, liderando as vendas para a China com uma participação de 27%. A pauta fluminense é intensamente concentrada: o petróleo representou 96% das exportações do estado para o gigante asiático, e 86% de todo o petróleo que o Brasil enviou à China teve origem no Rio de Janeiro. Segundo especialistas, esse movimento responde à estratégia chinesa de diversificação de fornecedores e busca por segurança energética diante de instabilidades no Oriente Médio.

Pelo lado das importações, o setor de petróleo também influenciou os números. Embora as compras totais da China tenham caído 6%, totalizando US$ 17,9 bilhões, a base de comparação de 2025 era elevada justamente devido à importação recorde de um navio-plataforma para exploração de petróleo naquele ano. Em 2026, destaca-se a aquisição do navio-plataforma P-79, de origem sul-coreana, por US$ 4 bilhões, destinado ao Campo de Búzios, na Bacia de Santos.

Desempenho de minérios e ferroligas

O minério de ferro manteve-se como um pilar importante, sendo o terceiro produto mais exportado para a China, com US$ 3,962 bilhões faturados no trimestre. Embora tenha ocorrido uma retração de 2,5% no volume enviado (57.186 mil toneladas), a valorização do preço da commodity permitiu um crescimento marginal de 0,3% no valor das vendas. O produto representou 16,6% da pauta para a China, sendo o item dominante nas exportações de Minas Gerais e do Pará.

As ferroligas registraram um desempenho excepcional, atingindo o recorde de US$ 478 milhões em exportações no trimestre, um aumento de 54% em faturamento. O volume exportado praticamente dobrou (alta de 94%), sendo que as vendas foram lideradas pelo ferronióbio (63% do total) e pelo ferroníquel (29%). A China consolidou-se como o principal destino das ferroligas brasileiras, absorvendo 45% dos embarques globais do país.

Em contraste, o minério de cobre apresentou uma trajetória de queda expressiva no período. O valor das exportações recuou 31%, somando US$ 228 milhões, enquanto o volume despachado caiu 45%, totalizando 67 mil toneladas. Com isso, sua participação na pauta exportadora para a China ficou em 1,0%.

Siderurgia e insumos industriais

No âmbito das importações, os produtos siderúrgicos foram destacados como itens de relevância para diversos estados brasileiros. São Paulo, que liderou as importações de origem chinesa com 26% de participação, além de Santa Catarina (22%), Amazonas (9,2%) e Paraná (7%), tiveram suas compras distribuídas entre setores diversos, incluindo o de produtos siderúrgicos e componentes eletrônicos. O relatório aponta que a indústria de transformação, onde se inserem esses produtos, compôs 99,8% de tudo o que o Brasil importou da China entre janeiro e março de 2026. Além disso, o setor automotivo impulsionou a entrada de componentes metálicos, como rodas e suas partes, que registraram alta de 89% nas importações.