De área impactada a laboratório vivo da Amazônia: Lago Batata se tornou referência científica

Iniciativa conduzida pela MRN e UFRJ reúne mais de 35 anos de evidências científicas sobre biodiversidade, qualidade da água e recuperação de ecossistemas

Por Conexão Mineral 26/06/2026 - 11:21 hs
Foto: MRN

Quando se fala em recuperação ambiental na Amazônia, poucos casos acumulam tantos dados, pesquisas e resultados quanto o do Lago Batata, em Oriximiná, no oeste do Pará. No mês internacional do Meio Ambiente, celebrado em junho, a Mineração Rio do Norte (MRN) destaca uma das mais longevas iniciativas de restauração ecológica da região. Mesmo após recuperar as funções ecológicas, o Lago Batata continua sendo monitorado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), gerando conhecimento científico sobre biodiversidade, qualidade da água e conservação de ecossistemas amazônicos.

Mais de 800 mil mudas de espécies de igapó foram plantadas pela MRN, contribuindo para a restauração de 120 hectares de vegetação. A área que passou por intervenções abriga 171 espécies de peixes, acompanhando a recuperação da vegetação e as condições ambientais. O trabalho também resultou em 99 publicações científicas. “Esses resultados ajudam a contar uma história que começou ainda na década de 1980. O que era um desafio ambiental transformou-se em laboratório natural da Amazônia, contribuindo para a conservação da região”, afirma Vladimir Senra, diretor Jurídico e Financeiro da MRN.

Os peixes contam a história da recuperação

A especialista em ictiologia e professora da UFRJ Natália Lacerda explica que os peixes funcionam como indicadores da qualidade ambiental de rios e lagos. Quando o ambiente melhora, novas espécies encontram condições para se estabelecer, a cadeia alimentar se fortalece e a biodiversidade fica mais rica. “Observamos aumento no número de espécies e da diversidade de peixes. Isso mostra que a qualidade ambiental vem evoluindo”.

Segundo Natália, o diferencial do projeto está na continuidade do acompanhamento. Ao longo de mais de 35 anos, foram analisados não apenas os peixes, mas também a qualidade da água, os sedimentos, a vegetação e outros componentes. "É essa combinação de informações que permite compreender de forma confiável o que está acontecendo com o ambiente".

Um ecossistema inteiro em transformação

Embora a fauna aquática seja um dos indicadores mais visíveis, a recuperação envolve uma rede muito maior de organismos. “Quando as pessoas pensam na biodiversidade de um lago, normalmente pensam nos peixes, mas eles são pequena parte desse ecossistema. Organismos microscópicos sustentam toda a cadeia alimentar e garantem o funcionamento do ambiente”, explica Francisco de Assis Esteves, doutor em Limnologia, pesquisador e professor da UFRJ.

O biólogo revela que, mesmo após recuperar suas funções ecológicas, o Batata segue sendo monitorado e gerando conhecimento científico. “Novas espécies continuam sendo registradas e o monitoramento permanente permite compreender a evolução do ecossistema ao longo do tempo”, explica. Esteves cita a qualidade da água como patrimônio da região: “Na Amazônia, os rios, lagos e igarapés fornecem alimento, lazer e sustentam a biodiversidade. Preservar a água é preservar a vida”.

Muito além da recuperação ambiental

Para o diretor da MRN, um dos legados da iniciativa é a integração entre ciência, gestão ambiental e conhecimento local: “O sucesso do Batata mostra que a união entre empresa, academia, órgãos ambientais e as comunidades pode gerar soluções concretas para a conservação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia”. Esse compromisso com o monitoramento vai além do Lago Batata. A MRN acompanha a qualidade dos recursos hídricos da região em 301 pontos de rios, lagos, igarapés, nascentes e águas subterrâneas. 

Somente em 2025, foram realizadas 95.615 análises, com índice de conformidade de 98,15%, seguindo os parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Os resultados são reportados aos órgãos de controle ambiental por meio do Relatório de Desempenho Ambiental (RADA) e compartilhados com as comunidades da região. Moradores acompanham as coletas em campo e têm acesso aos resultados das análises, fortalecendo a transparência, o diálogo e a participação social na gestão dos recursos naturais.