Mineração verde surge como motor da transição energética global e exige conexão com comunidades locais

Líderes e especialistas apontam caminhos para alinhar investimentos ESG internacionais à geração de prosperidade real nas regiões mineradoras

Por Conexão Mineral 03/07/2026 - 19:14 hs
Foto: CNN

O papel indispensável da mineração para a descarbonização global, a atração de investimentos verdes e o alinhamento das expectativas internacionais com o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais foram os eixos centrais dos debates no painel sobre Mineração Verde e Transição Energética, realizando no ciclo de debates do CNN Talks | Nova Era da Mineração, promovido pela CNN Brasil, na última terça-feira.

O debate evidenciou que a descarbonização da economia global depende profundamente do setor mineral. Para além do fornecimento de insumos essenciais, a própria atividade mineradora passa por uma profunda transformação interna. José Celso Martins, conselheiro da Cedro Participações, destacou a viabilidade prática dessa transição na cadeia produtiva.

“Você pode reduzir a emissão de carbono na própria mineração substituindo os caminhões combustível por caminhões elétricos e produzir minérios de maior qualidade que vão gerar menos emissão de carbono”, explicou o executivo.

Essa transição reposiciona a indústria de extração perante a opinião pública e o mercado financeiro, alterando profundamente a percepção sobre a atividade. Para o diretor do Instituto Brasileiro de Mineração, Pablo Cesário, o setor vive um momento de virada institucional. “A mineração precisa ser vista como setor que é portador de futuro, que dá pra nossa sociedade duas coisas fundamentais, que é como a gente constrói prosperidade e como a gente constrói sustentabilidade”, afirmou o diretor.

A ponte entre a agenda global e o impacto local

Contudo, os participantes do debate alertaram que as metas climáticas internacionais correm o risco de isolamento se não gerarem valor tangível para as populações vizinhas aos projetos. Thiago Toscano, CEO da Itaminas, ressaltou que o engajamento social depende diretamente da territorialização do discurso ambiental.

“Se a gente falar descarbonização, mas não conectar com a localidade, a percepção das pessoas não vai mudar. A gente precisa progredir na visão mundial na conexão da mineração com a agenda global, mas a conexão da mineração com a agenda local”, ponderou o CEO.

O momento atual configura uma janela de oportunidade única para o Brasil, impulsionada pela busca global por segurança de suprimentos sustentáveis e novos marcos regulatórios. Flora Bitancourt, Chief Impact Officer da World Climate Foundation, enfatizou que o mercado externo está pronto para apoiar as mineradoras que apresentarem governança sólida.

“A agenda global está chamando o setor da mineração para atuarem e para fazer parte. Construção de um ambiente regulatório saudável, construção de padrões que o investidor consiga entender como o setor está se responsabilizando e trazendo processos claros e métricas ESG”, concluiu Bitancourt.

Licença para operar

Durante o painel "Minerais: licença para operar e territórios para transformar", Vilmar Simões, diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), destacou que a geração de conhecimento geocientífico é um dos principais fatores para ampliar a competitividade do Brasil e atrair investimentos para o setor mineral.


Durante o debate, o diretor-presidente ressaltou que o SGB é responsável pela produção dos dados geocientíficos pré-competitivos do país, por meio de levantamentos geológicos, geofísicos e geoquímicos. “Essas informações permitem identificar áreas com maior potencial para a ocorrência de minerais, incluindo os minerais estratégicos. Isso reduz as incertezas nas etapas iniciais da pesquisa mineral. Nossos dados também subsidiam políticas públicas, o planejamento territorial e a gestão sustentável dos recursos minerais”, explicou.

Vilmar Simões também destacou que o Brasil reúne condições para assumir protagonismo na cadeia global de minerais estratégicos, em razão de sua diversidade geológica, de suas reservas minerais e da qualidade das informações produzidas pelo SGB. “Ocupamos posições de destaque mundial em minerais estratégicos, como nióbio, grafita, níquel, manganês e terras raras”, ressaltou.

O diretor-presidente enfatizou que os projetos desenvolvidos pela instituição estão alinhados às diretrizes do Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), e aos instrumentos de planejamento do setor mineral, como o Plano Nacional de Mineração e os Planos Decenais de Mapeamento Geológico e de Pesquisa de Recursos Minerais (PlanGeo). Simões enfatizou que o apoio do ministro Alexandre Silveira tem sido fundamental para o avanço e fortalecimento dos projetos.