O próximo ciclo da mineração depende de uma equação simples: gás natural

Com US$ 76,9 bilhões de investimentos previstos até 2030, o setor coloca a energia no centro de sua estratégia de crescimento

Por Conexão Mineral 01/09/2026 - 12:55 hs
Foto: Edge

A mineração brasileira está diante de um novo ciclo de expansão. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o setor deve receber US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, valor 12,5% superior à estimativa anterior. Desse total, US$ 21,3 bilhões devem ser destinados aos minerais críticos e estratégicos, enquanto outros US$ 11,3 bilhões devem chegar à infraestrutura logística.

São investimentos que apontam para uma mineração cada vez mais estratégica para a economia brasileira e para as cadeias globais de transição energética. Mas também colocam um desafio: como levar energia competitiva e confiável para acompanhar esse crescimento, inclusive em regiões distantes da infraestrutura convencional?

É nesse ponto que o gás natural ganha ainda mais relevância. A molécula já faz parte da realidade da cadeia mineral e metalúrgica brasileira. Em 2025, o consumo chegou a aproximadamente 1,3 milhão de m³ por dia na mineração e pelotização, enquanto os segmentos de não ferrosos e outras atividades metalúrgicas consumiram cerca de 3,9 milhões de m³ diários. Ao todo, o gás representa 15,9% da matriz energética da cadeia mineral e metalúrgica. 

Mas, à medida que a mineração avança para novas regiões e amplia sua escala, a discussão deixa de ser apenas sobre quanto gás consumir e passa a ser também sobre como fazer esse energético chegar aonde ela é necessária.


Quando a infraestrutura não acompanha o crescimento

Grande parte dos novos projetos industriais e minerais está localizada longe dos grandes centros consumidores e da malha tradicional de gasodutos. Hoje, menos de 20% da indústria brasileira tem acesso à rede de transporte de gás, limitando o uso da molécula justamente em regiões com potencial de crescimento.

Nesse cenário, modelos alternativos de abastecimento ganham relevância. Pioneira na abertura do mercado de gás no Brasil, a Edge combina soluções on-grid, off-grid e biometano para ampliar o acesso ao gás e oferecer mais flexibilidade aos consumidores.

“A abertura do mercado trouxe novas possibilidades para a indústria, mas também exige soluções capazes de conectar diferentes fontes de gás a consumidores com necessidades cada vez mais específicas. Na Edge, trabalhamos para oferecer essa flexibilidade, combinando mais de 25 fontes de suprimento e contratos que façam sentido para cada operação”, afirma Demétrio Magalhães, CEO da Edge.

Uma dessas soluções é o GNL. Ao ser liquefeito, ele pode ser transportado por caminhões e chegar a consumidores que não estão conectados à malha de gasodutos. Para a mineração, que frequentemente opera em áreas remotas e demanda grandes volumes de energia, essa flexibilidade pode ser estratégica. 

A Edge utiliza o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos, como base para uma operação logística que alcança até 1.200 quilômetros de distância. Um exemplo é o contrato firmado com a LD Celulose, no Triângulo Mineiro, que prevê o fornecimento de 120 mil m³ por dia durante oito anos, e já utiliza o modelo off-grid da Edge para abastecer sua planta industrial.

“O GNL permite levar gás a regiões onde existe demanda industrial, mas ainda não há conexão com a malha. Isso amplia as possibilidades de acesso à energia e cria novas alternativas para o crescimento da indústria”, explica o executivo.

Mais do que molécula: uma estratégia para crescer e descarbonizar

Se a logística ajuda a levar o gás até novos mercados, a evolução do mercado livre amplia outra possibilidade: dar ao consumidor mais liberdade para construir sua estratégia de suprimento.

Para um setor como a mineração, que trabalha com investimentos elevados e planejamento de longo prazo, energia precisa ser tratada como um ativo estratégico. Contratos estruturados, diversificação de fontes e alternativas logísticas permitem mais previsibilidade para decisões que impactam operações por décadas.

“Para uma indústria que está planejando investimentos para os próximos cinco, dez ou vinte anos, o gás precisa ser tratado como parte da estratégia do negócio. Diversificar fontes, estruturar contratos e ampliar as alternativas logísticas dá mais previsibilidade e segurança para tomar decisões de investimento”, afirma Magalhães.

Esse movimento também dialoga com a agenda de descarbonização. Em aplicações nas quais a eletrificação ainda enfrenta desafios técnicos ou econômicos, o gás natural pode contribuir para reduzir emissões sem comprometer a operação. Ao mesmo tempo, a mesma infraestrutura pode incorporar moléculas renováveis, como o biometano.

Por meio da OneBio, em Paulínia, a Edge conta com uma planta capaz de purificar até 225 mil m³ de biometano por dia, combinando competitividade energética e uma rota gradual para reduzir emissões.

“Não estamos falando de uma transição em que uma molécula substitui a outra. O gás natural pode ampliar a competitividade da indústria, enquanto o biometano abre novas possibilidades de descarbonização. A ideia é acompanhar essa evolução junto com os consumidores”, finaliza o executivo.

A energia por trás do próximo ciclo

A mineração brasileira tem uma oportunidade histórica pela frente, impulsionada pela demanda por minerais críticos e pelos investimentos previstos para os próximos anos. Mas transformar esse potencial em crescimento exigirá mais do que capacidade produtiva.

Será necessário garantir energia competitiva, confiável e disponível onde os projetos estiverem. Nesse cenário, o mercado livre de gás deixa de ser apenas uma alternativa energética e passa a integrar uma estratégia capaz de apoiar a expansão da indústria.

Para a Edge, o foco está em conectar oferta e demanda, ampliar o acesso ao gás e desenvolver soluções que acompanhem o ritmo de crescimento do setor. Porque, no próximo ciclo da mineração, produzir mais será apenas parte da equação. Garantir o energético para viabilizar essa expansão será igualmente decisivo.
















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