Liebherr leva a carregadeira L 586 X Power para a Exposibram
Empresa está trabalhando na introdução do trator hidrostático no mercado brasileiro
A divisão de mineração da Liebherr Brasil projeta um cenário de consolidação e novos negócios no país, impulsionada por inovações tecnológicas focadas em eficiência energética e automação. Jair Machado, Gerente Divisional de Mineração da empresa no país, detalhou a introdução de novos equipamentos no mercado brasileiro, os desafios comerciais diante de mercados altamente concentrados e a maturidade tecnológica de suas frotas.
O principal destaque da Liebherr na Exposibram foi o modelo de carregadeira híbrida L 586 X Power, operada com sistema hidrostático e conversor de torque. O equipamento, lançado no Brasil há aproximadamente um ano e meio, foi classificado por Jair como ideal para minas de pequeno porte e já conta com unidades ativas em território nacional, operando principalmente na lavra de minério de ferro.
Com um peso de cerca de 32 toneladas e carga de tombamento especificada em 21.600 kg, o modelo se diferencia por ser mais leve que os concorrentes. Essa redução de peso próprio, somada à integração do sistema hidrostático com o hidrodinâmico, gera economia significativa de combustível e a redução de peso do próprio equipamento é convertida diretamente em maior capacidade de carga útil na caçamba.
Além da carregadeira, a Liebherr destaca sua escavadeira hidráulica de 150 toneladas pertencente à Geração 8 (caracterizada por equipamentos com peso operacional acima de 100 toneladas). Esta máquina conta com alta conectividade, baixa emissão de gases e baixo consumo de combustível regulado eletronicamente, despertando crescente interesse por parte de prestadores de serviço em mineração no Brasil, onde a frota de escavadeiras de grande porte da marca já gira em torno de 30 unidades.
Automação de frotas com protocolo aberto
No segmento de frotas autônomas, a Liebherr disponibiliza um sistema de automação completo para seus caminhões fora de estrada. O grande diferencial tecnológico é ser estruturado sob protocolo aberto. Esse formato possibilita que os caminhões Liebherr operem de forma integrada dentro de sistemas de gerenciamento desenvolvidos por concorrentes como Caterpillar e Komatsu.
"A ideia é que o próprio cliente consiga colocar equipamentos de fabricantes diferentes dentro do mesmo sistema, sem ficar dependente de um único fabricante", explicou Jair. Os modelos compatíveis com essa tecnologia são os caminhões fora de estrada T 264 (de 240 toneladas), T 274 (de 320 toneladas) e T 284 (de 400 toneladas).
Atualmente, não há operações ativas ou testes em curso com frotas autônomas da marca no Brasil. Contudo, há discussões em andamento com clientes potenciais que avaliam a ampliação de suas minas — um processo que depende de investimentos externos em capex por parte dos próprios clientes. Internacionalmente, a Liebherr opera uma frota de cerca de 170 caminhões na Austrália (na Fortescue), dos quais cerca de 30 operam com o sistema autônomo completo.
O desafio de introduzir o trator hidrostático no Brasil
O principal objetivo estratégico de curto prazo para a Liebherr Brasil é a introdução do trator hidrostático na mineração nacional. O modelo promete uma redução de consumo de combustível na faixa de 30% se comparado ao trator hidrodinâmico convencional.
Apesar de possuir operações consolidadas no exterior — em mercados como Austrália, Rússia, África do Sul e Estados Unidos —, o trator hidrostático ainda não havia sido introduzido no Brasil devido à forte tradição e hegemonia dos concorrentes neste nicho específico.
Embora admita que o mercado de mineração brasileiro esteja maduro para receber soluções inovadoras, Jair apontou que a histórica falta de concorrência manteve as mesmas marcas consolidadas no setor. Sem adiantar detalhes específicos sobre locais ou clientes, o executivo indicou que a Liebherr está em fase de fechamento de negócio para trazer a primeira operação de trator hidrostático ao país, prometendo anúncios formais nos próximos meses.
Apesar das assimetrias de desempenho entre os diversos subsegmentos de mercado, o gerente da Liebherr Brasil avaliou o ano atual de forma positiva, apontando que os resultados consolidados encontram-se dentro de uma média satisfatória para a companhia.
























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