Quartzito representa 60% do faturamento das exportações de rochas naturais brasileiras

Enquanto exportações de rochas naturais recuaram 4,2% no primeiro semestre, vendas de quartzito avançaram 6,7%

Por Conexão Mineral 08/10/2026 - 17:22 hs
Foto: Unique Stone

As exportações brasileiras de rochas naturais recuaram 4,2% no primeiro semestre de 2026, mas um segmento seguiu na direção oposta. As vendas de quartzito ao exterior cresceram 6,7%, alcançaram US$428,5 milhões e passaram a responder por 60,3% de todo o faturamento externo do setor, segundo a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).

O contraste é ainda maior quando comparado ao desempenho de outras rochas tradicionais da pauta brasileira. No período, o faturamento das exportações de granitos caiu 18,4%; o de mármores, 26,7%; e o de ardósias, 7%. Ao todo, o país exportou US$711,1 milhões em rochas naturais entre janeiro e junho.

Mais do que alterar a composição das exportações, o avanço do quartzito começa a influenciar decisões tomadas antes mesmo de a pedra sair da jazida. Em um mercado que busca materiais específicos e regularidade de fornecimento, conhecer o potencial da reserva, calcular o aproveitamento dos blocos e planejar a extração passam a fazer parte da equação econômica do negócio.


“Ter uma rocha com apelo comercial é só o começo. É preciso saber quanto daquela jazida pode efetivamente ser aproveitado, que tipo de bloco ela consegue entregar e se haverá condição de manter o fornecimento. Uma decisão errada nessa etapa repercute no custo e em toda a operação”, afirma Bernardo Imperial, CEO da Unique Stone.

A conta começa antes da extração

A lógica é diferente da fabricação de um produto industrial padronizado. Cada ocorrência de rocha natural apresenta características próprias, e fatores como estrutura, fraturas, desenho e resistência podem interferir no volume aproveitável, nas dimensões dos blocos e nas aplicações comerciais.

Isso significa que um aumento da procura internacional não necessariamente pode ser acompanhado, na mesma proporção, por um aumento da extração. Antes de expandir a produção, é preciso avaliar o comportamento da jazida e quanto dela poderá ser convertido em material comercial.

Na prática, o aproveitamento interfere diretamente na rentabilidade. Quanto menor a parcela da rocha que pode ser transformada em blocos dentro dos padrões desejados pelo mercado, maior pode ser o peso dos custos de extração sobre o produto final.

“O mercado pode se interessar por determinado desenho ou característica, mas precisamos saber se aquela ocorrência permite produzir na escala e na regularidade esperadas. Não adianta assumir um compromisso comercial que a jazida não consegue sustentar”, diz Imperial.

Essa avaliação ganha relevância à medida que o quartzito ocupa uma fatia maior das exportações brasileiras. O desafio deixa de ser apenas encontrar novos materiais e passa a incluir a capacidade de transformar o potencial geológico em produção comercial previsível.

Brasil concentra diversidade de materiais

O país tem uma vantagem de partida. Segundo a Centrorochas, o Brasil reúne mais de 1.200 variedades comerciais de rochas naturais, possui a maior diversidade geológica do mundo e ocupa a liderança global em quartzitos. É também o quarto maior produtor e o quinto maior exportador mundial de rochas naturais.

Essa disponibilidade, porém, não significa que todas as jazidas tenham o mesmo potencial econômico. Para Imperial, o conhecimento sobre a reserva é justamente o que permite separar uma ocorrência geológica promissora de uma operação comercialmente viável.

“O Brasil tem uma diversidade enorme, mas ter a matéria-prima não resolve a equação. É preciso conhecer a jazida, entender o aproveitamento possível e saber para qual mercado aquele material faz sentido. É aí que o potencial geológico começa a virar negócio”, afirma.

O movimento ocorre após um ano recorde para as exportações brasileiras de rochas naturais. Em 2025, o país faturou US$1,48 bilhão no exterior, alta de 17,5% sobre 2024. Foram embarcadas 2,11 milhões de toneladas, crescimento de 2,9%, enquanto o preço médio das exportações avançou 14,2%.

As rochas brasileiras chegaram a 132 países no ano passado. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, responsáveis por 53,6% do valor exportado, seguidos por mercados como China, Itália, México, Reino Unido e Espanha.

Mesmo com a retração acumulada no primeiro semestre de 2026, junho registrou US$165,2 milhões em exportações, maior faturamento mensal da série histórica e resultado 34,1% superior ao mesmo mês do ano anterior.

Para Imperial, o desempenho recente do quartzito coloca o setor diante de uma discussão menos relacionada à corrida por volume e mais à capacidade de capturar valor a partir das reservas existentes.

“Extrair mais não é necessariamente o melhor negócio. O objetivo é entender o que cada jazida pode entregar, reduzir perdas e direcionar o material para os mercados em que ele tem maior potencial. É essa combinação que sustenta uma operação no longo prazo”, conclui.